O suicídio é uma palavra que entrou no meu vocabulário há 14 anos. Foi um dia marcante em que me foram bater à porta e que me disseram: Telefona ao teu pai, o teu avô matou-se! Não obstante disso a minha mãe disse-me, do outro lado da linha telefónica: Não telefones ao teu pai, vai ver o que se passa! E eu fui... e deparei-me com a cena que não poderei ou não conseguirei esquecer: o meu avô deitado, de cara para o chão, com o chapeu caido ao lado da cabeça, e com o sangue pisado a subir-lhe da testa até a meio da cabeça careca... Depois disso tudo se torna nublado na minha cabeça mas foi um dia longo... muito longo.
Depois desse dia, surgiram vários sentimentos, conforme fui crescendo... O medo foi o primeiro. Medo que o meu pai fizesse o mesmo, porque o disse muitas vezes... e ainda diz. Depois veio a noção de que havia uma fuga facil para os problemas - o suicidio. Quantas vezes pensei em todos os pormenores?! Desde o sitio, a forma, as cartas que deixaria,... Mas nunca fui mais longe. O terceiro sentimento foi a revolta. Revolta por ter essa herança, por ele me ter marcado tão profundamente para a vida... E por ultimo veio a consciência de que Suicidio é uma cobardia e não solução... Não existe nada que não tenha solução! Mas vivo com esta sombra no meu caminho... sombra que combato com o sol de todos os dias.
Parabéns avô por estes 14 anos...
... que tanto me fizeste sofrer.
